
A Espondilite anquilosante (EA) é uma inflamação sistêmica crônica que acomete, principalmente, as articulações da coluna vertebral e, aos poucos, leva à fusão das vértebras e perda da mobilidade. Não tem cura, mas o tratamento pode retardar sua progressão.
E o que significa esse nome difícil de falar? Bem, “espondilite’ se refere à artrite — inflamação nas articulações — na coluna vertebral, enquanto “anquilosante” remete à ausência de movimento, principal consequência da progressão da doença.
Tudo começa com uma dor persistente nas costas, por mais de um mês, acompanhada daquela sensação de rigidez matinal. Essa dor tem como principal característica surgir durante a manhã, impedindo a pessoa de se levantar com facilidade, e ser oscilante, ou seja, ir e vir, atrapalhando o cotidiano. O incômodo geralmente surge primeiro na região lombar, mas pode afetar até o pescoço e as nádegas, além de outras articulações, como quadril, joelhos e tornozelos.
Um dos pontos que mais chama a atenção na espondilite é que ela acomete principalmente pessoas jovens, entre os 20 e 40 anos. Porém, os motivos por trás disso não estão bem esclarecidos.
Causas
A verdadeira causa da espondilite anquilosante é desconhecida. Existe, no entanto, uma desconfiança de que ela tenha um componente genético, visto que foi encontrado um marcador genético — uma proteína denominada HLA-B27 — em cerca de 90% dos pacientes portadores da doença.
Esse marcador genético remete a um certo tipo de glóbulos brancos, mas não está presente em todos os pacientes, assim como a presença do marcador também não significa que a pessoa irá desenvolver a doença.
Na verdade, sabe-se que, das pessoas com o HLA-B27, apenas 20% acabam tendo espondilite anquilosante.
Alguns sintomas que acompanham a espondilite Anquilosante:
Assim como em qualquer doença autoimune, os sintomas podem variar muito de pessoa.
Dores
Lombalgia, dorsalgias e ciatalgias são os principais tipos de dores que podem ser sentidas com a EA. Lombalgia se refere a lombar, dorsalgia ao dorso e ciatalgias ao trajeto do nervo ciático, ou seja, ao nível das nádegas e coxas.
Também podem ocorrer talalgias, que são dores na região dos calcanhares.
Algumas vezes ocorrem locais sensíveis ou dolorosos, em ossos que não fazem parte da coluna, como o osso do calcanhar, tornando–se desconfortável ficar em pé em chão duro (facite plantar) e o osso ísquio da bacia, tornando as cadeiras duras muito desagradáveis.
Rigidez
A rigidez é caracterizada pela dificuldade em se movimentar e, no caso da EA, se concentra na coluna vertebral. Esse sintoma pode ser mais percebido de manhã, ao acordar, e após períodos de descanso.
Para ser caracterizada como um sintoma da doença, deve durar pelo menos 30 minutos, mas pode chegar a durar algumas horas.
Tendinites
As tendinites são inflamações nos tendões — tecido que liga um músculo ao osso —, caracterizadas por inchaço e dor.
No caso da espondilite anquilosante, ocorre mais frequentemente no tendão de Aquiles (tendão calcanear) e no tendão rotuliano (que fica na frente do joelho).
Artrites periféricas
Conforme a progressão da doença, as artrites podem deixar de se confinar no esqueleto axial e passar para o esqueleto apendicular (membros), onde pode haver artrite nos joelhos, cotovelos, quadril e ombros.
Fraqueza e fadiga
Além das dores, sensações incapacitantes de fraqueza e fadiga são frequentes.
Inflamações nos olhos
Em algumas pessoas, inflamações nos olhos são a primeira manifestação da doença. Elas podem ocorrer em diversos níveis e provocam dor e vermelhidão.
Inflamação na pele
Alguns pacientes também podem acabar sofrendo de psoríase, uma doença inflamatória da pele caracterizada por lesões avermelhadas com escamas secas e espessas, acompanhadas de coceira.
Inflamação no intestino
Conhecida como colite, a inflamação no intestino em alguns pacientes pode estar relacionada à espondilite anquilosante.
Sacroileíte
Na base da coluna vertebral, existe articulação sacroilíaca, que liga o osso sacro com o ílio. Uma das primeiras manifestações da espondilite anquilosante pode ser a sacroileíte, que é a inflamação dessa articulação, causando sintomas como dor forte e febre em alguns casos.
Coração, pulmão e sistema nervoso central: são complicações raras, afetando menos de um entre cem pacientes. A inflamação pode afetar as válvulas do coração, as articulações ou os discos entre as vértebras, podendo assim comprimir um nervo ou a medula óssea, causando dormência, fraqueza muscular ou dores. O pulmão raramente é diretamente afetado, mas pode ocorrer uma fibrose na sua parte superior. O pulmão pode ser indiretamente comprometido pela diminuição da expansibilidade da caixa torácica, essa causada pela espondilite anquilosante. Portanto, o paciente espondilítico nunca deverá fumar.
Tratamento
Para tratar a espondilite anquilosante são usados medicamentos analgésicos para aliviar a dor, relaxantes musculares e remédios capazes de alterar a evolução da doença, como os anti-inflamatórios não-hormonais.
A medicação normalmente só é necessária na fase aguda da espondilite. Após esse período, o tratamento consiste principalmente em fisioterapia e exercícios. Todavia, alguns pacientes podem precisar de um tratamento medicamentoso contínuo, com doses reduzidas.
Quando o tratamento convencional não traz resultados, pode ser indicada a terapia biológica, que consiste na injeção de medicamentos que atuam contra a dor, a inflamação e as alterações imunológicas verificadas nos pacientes com espondilite anquilosante.
A cirurgia é mais usada quando a espondilite afeta o quadril, sendo raros os casos de espondilite anquilosante na coluna em que o tratamento cirúrgico é indicado.
Apesar da espondilite anquilosante ficar menos ativa com o passar do tempo, o tratamento deve ser mantido até ao fim da vida. O principal objetivo é aliviar os sintomas, conter a evolução da doença e manter ou melhorar a mobilidade das articulações.
Fonte :
saude.abril.com.br
minutosaudavel.com.br
medicoresponde.com.br
espondilitebrasil.com.br